Não Invista em CRI e CRA

A janela de investimentos e oportunidades na modalidade está oficialmente fechada.

A mensagem é simples: você não deveria investir em CRIs e CRAs agora.

Os CRIs são os Certificados de Recebíveis Imobiliários e os CRAs são os Certificados de Recebíveis do Agronegócio, são títulos de crédito privado emitido por seguradoras que financiam diversos bancos e conquistaram uma parcela de investidores nos últimos anos. Ao aplicar nestes produtos você empresta sei dinheiro para financiamentos das atividades nestes setores da economia e será remunerado com juros ao final do período acordado.

Imagina que você tenha uma padaria e quer construir uma loja nova, mas não tem todo o dinheiro agora. Então, você vai atrás de pessoas que tenham grana e diz assim: “Ei, se vocês me emprestarem dinheiro agora, eu prometo pagar no dia X com um pouco a mais.”

Em dados da Anbima e Infomoney, entre janeiro e junho, quem liderou em volume de captação no mercado foi o CDB — aquele investimento em renda fixa oferecido pelos bancos. Segundo a Anbima, ele puxou R$ 113,1 bilhões nesse primeiro semestre, um crescimento de 13,1%, somando agora quase R$ 976 bilhões.

É o produto financeiro mais usado do Brasil nesse momento!

Mas calma: apesar do volume alto, os CDBs não foram os que mais cresceram proporcionalmente. O maior salto percentual veio dos CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), que avançaram 25,5% no semestre e chegaram aos R$ 78,7 bilhões — um acréscimo de R$ 16 bilhões.

Logo depois vêm os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), com um crescimento bem parecido: 22,9% a mais, somando R$ 21,3 bilhões e totalizando R$ 114,3 bilhões investidos nessa modalidade.

A explicação para o crescimento destes produtos é muito simples: estamos com os juros altos, torna-se extremamente atrativo investir em produtos de baixo risco como a renda fixa, nenhum segredo até aí. Quando passamos por períodos de alternância da taxa de juros com cortes e elevações periódicas, os investidores e empresas adaptam suas carteiras e reservas.

Em momentos de expectativa de cortes na taxa de juros vemos o aumento do mercado de ações e bolsa de valores, mas por agora estamos vivendo um período de juros persistentemente altos, o que convence muitos a manterem seu dinheiro aplicado na renda fixa que é livre de riscos.

Perfil de Investidor: Longo Prazo

A maioria dos títulos desta modalidade são com vencimento a longo prazo, isso significa que são menos líquidos e não servem para compor uma reserva de emergência ou para investidores que precisam resgatar com frequência seu dinheiro.

Apesar de pertencerem ao segmento da renda fixa, os CRIs e CRAs não são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) em caso de calote da empresa emissora, outro motivo pelo qual eles não servem para formação de poupança. Como cada CRI e CRA pode ter garantias diferentes, é importante ler com calma os detalhes da operação antes de investir. Uma dica boa é ficar de olho no rating, que é uma nota dada por agências especializadas e mostra o risco de calote daquele investimento. Isso ajuda você a entender melhor o risco que está assumindo ao aplicar seu dinheiro.

Até o momento esta modalidade de produto de investimento está isenta de Imposto de Renda e de IOF para pessoas físicas, porém o Governo está tentando aprovar no Congresso uma mudança nesta modalidade com proposta de taxar em 5%, as chances de isso causar uma corrida pelos títulos pode acontecer ainda em 2025, mas como os spreads já estão bem apertados, o ganho líquido para o investidor acaba ficando limitado.

Também temos um cenário onde estes títulos tiveram aumento nos riscos sem crescimento de retorno financeiro, dentro da renda fixa temos títulos como o Tesouro IPCA+ que garante proteção contra a inflação, menos riscos e melhor liquidez.

Na renda fixa o seu objetivo precisa ser obter o maior retorno possível em aplicações que te gerem o menos de preocupação e riscos, isso é potencializado neste período de alta de juros que vivemos, se for para tomar riscos sem garantia o investidor estaria alocando seu dinheiro em bolsa de valores.

Caso aprovada, a tributação sobre a modalidade passaria a valer em 2026, isso significa que os papéis comprados em 2025 ainda entrariam na regra de isenção, provocando uma corrida por estes produtos por acreditar ser uma vantagem, a verdade é que tributado ou não o seu risco é com a empresa emissora, e hoje ainda que esteja isento de imposto de renda os CRIs e CRAs não estão atrativos para o investidor.

Em resumo, embora CRIs e CRAs possam parecer atrativos por oferecerem isenção de imposto de renda e bons retornos em determinados cenários, o momento atual impõe riscos que merecem cautela. A combinação de spreads comprimidos, incertezas econômicas e riscos de crédito em alguns setores torna esses papéis menos interessantes no curto prazo. Para o investidor que busca segurança e rentabilidade ajustada ao risco, há alternativas mais equilibradas disponíveis no mercado. Por isso, é prudente adotar uma postura mais conservadora e aguardar melhores oportunidades antes de alocar recursos nesses ativos.